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A reciclagem e recolha dos OAU na Europa

Da quantidade total de óleos vegetais produzidos, grande percentagem é consumida durante a confeção alimentar (cerca de 55%), sendo a restante transformada em resíduo, o qual se encontra disponível para reciclagem efetiva através dos princípios da Economia Circular. Estima-se que em 2017 foram produzidas cerca de 83 milhões de toneladas métricas de óleo alimentar usado (OAU), sendo que só na Europa foram produzidas cerca de 10 milhões de toneladas métricas. Não são conhecidos dados gerais da percentagem que é reciclada, sendo apenas reportados dados isolados de alguns países. Por exemplo, enquanto a Alemanha, Holanda, Itália e Suíça apresentam taxas de reciclagem superiores a 50%, países como Portugal, Espanha, Bélgica, Irlanda, França e Aústria apresentam taxas de reciclagem inferiores a 30%, sendo que em Espanha a percentagem é de apenas 5%. O grande problema surge no setor doméstico, onde apenas 5% do OAU produzido é reciclado para outros fins.

 A Comissão Europeia, consciente deste problema, lançou o projeto RecOil de forma a i) apoiar a construção de instalações de recolha e reciclagem, ii) alertar a sociedade deste problema, e iii) sensibilizar o público em geral dos perigos associados ao descarte indevido. Este programa decorreu entre 2012 e 2015 contabilizando apoios na ordem dos 300 milhões de euros, contudo a fraca adesão ao programa - apenas 7 municípios europeus aderiram a esta causa – causou o seu encerramento antecipado. As baixas taxas de sucesso na reciclagem destes resíduos alimentares devem-se à falta de educação e cultura ecológica da sociedade, associada à falta de transmissão de conhecimentos de sustentabilidade, e também ao facto dos produtores destes resíduos não maximizarem com proveito próprio o processo de reciclagem. Perante este contexto, a inovação e desenvolvimento de novas soluções surge como uma oportunidade de mercado e abre, assim, um caminho para uma sociedade mais sustentável.

Desde a publicação do Decreto-Lei 267/2009 de 29 de Setembro em Portugal, que a gestão, recolha e tratamento dos óleos alimentares usados tem sido mais eficaz e empresas como a Jerónimo Martins apresentam nas suas lojas, pontos de recolha (oleões) capazes de armazenar este resíduo produzido pelo sector doméstico e HoReCa, em todo o país. A mudança de paradigma desde o Decreto-Lei visa dois objetivos essenciais: i) implementação de circuitos de recolha, transporte e valorização, e ii) corresponsabilização de todos os intervenientes no ciclo de vida desta gordura vegetal perante o descarte inadequado.

A EcoXperience acredita que é necessário reintroduzir soluções comerciais que permitam reciclar uma percentagem muito maior (no limite até 100%), as gorduras vegetais produzidas em Portugal, oferecendo produtos simples e eficazes. Neste caso, produtos de limpeza que diminuam os gastos mensais do orçamento de todos nós. Por isso o problema é transversal a todos os países europeus e passa pela questão:

“Se já paguei e utilizei este produto, porque não reaproveitá-lo e transformá-lo num outro produto útil e necessário ao dia-a-dia?”

 

 

Fonte: Marta F. C. Nunes, “Valorização de óleos alimentares usados – design de produtos”, tese de mestrado, Coimbra, Dezembro 2011.