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Óleos Alimentares Usados: o que lhes acontece em Portugal?

Os óleos alimentares usados são um produto que não falta na tua cozinha nem em nenhuma cozinha portuguesa, pois fazem parte da preparação de várias refeições. Mas sabes o que acontece a este resíduo depois de o descartares? 

A cozinha mediterrânica cultiva a utilização de óleos vegetais, como o azeite, óleo de girassol, palma, trigo ou milho. É um auxiliar fundamental na preparação de alimentos em países como Portugal, Espanha, Itália ou Grécia.

Contudo, a utilização massiva destes óleos gera uma quantidade relevante de resíduos nocivos ao ambiente, já que o seu descarte pelas tubagens das nossas casas ou dos restaurantes que frequentamos representa um aumento dos custos do tratamento de águas residuais nas ETAR, afeta a fauna marítima e causa a obstrução das canalizações.  

Os setores que produzem Óleos Alimentares Usados em Portugal

A APA - Agência Portuguesa do Ambiente - revela que em 2015, Portugal consumiu cerca de 77 mil toneladas de óleo alimentar, cujos resíduos devem ser valorizados e reciclados de acordo com os princípios de uma sociedade mais verde e sustentável.

Estes resíduos são gerados pelos seguintes setores:

  • Setor industrial: 6%;
  • Setor doméstico: 25%;
  • Setor HoReCA (Hotéis, Restaurantes e Cafés): 69%. 

Convém realçar que parte dos óleos alimentares usados são absorvidos durante a confecção dos alimentos.

O mesmo estudo da APA revela que se encontravam disponíveis para reciclagem 58 mil toneladas de óleo alimentar usado, dos quais 23 mil toneladas foram recolhidas para valorização através da produção de biodiesel. Assim, prevê-se que 35 mil toneladas de óleos alimentares usados (OAU) foram despejados nos coletores de águas residuais.

Mas porque é que os Óleos Alimentares Usados não são corretamente reciclados?

A quantidade de litros de óleo alimentar usado que é colocado nos coletores de águas residuais demonstra que ainda possa existir:

  • falta de informação e educação em Portugal acerca deste grave problema ambiental;
  • inexistência de pontos de recolha nas nossas cidades;
  • ausência de produtos que possam valorizar os OAU de forma simples e eficaz.

Os dados são ainda mais preocupantes se analisarmos as taxas de recolha em cada setor: 1,6% (253 toneladas) no setor doméstico e de 46% no setor HoReCa. Infelizmente, estes dados reportam que mais de 50% dos intervenientes no setor industrial e de comércio não cumprem a legislação que obriga a entrega de óleos alimentares usados (OAU) a empresas licenciadas para tal.

Estes dados revelam a falta de aplicação da legislação em vigor e sua fiscalização ou mesmo a criação de incentivos que estimulem à resolução deste problema. Infelizmente, a gestão ambiental em Portugal tem sido um parente pobre das políticas públicas de proteção ecológica e gestão eficientes dos recursos naturais. O caso mais preocupante é a gestão da floresta portuguesa; contudo, outras questões igualmente prejudiciais da economia portuguesa encontram-se por resolver.

 

Fonte - ONG Zero